abro o livro: estudo. faço-me ler, em algumas poucas vezes, os mesmos tomos de sempre; as dúvidas permanecem imutáveis, inesclarecidas...certos algos, de que houvera um dia sabido, ainda me parecem tenebrosos: será que soubera mesmo daquilo? o afastamento de uma obra, a pré-concepção do que julgamos momentaneamente acabado, a finalização de um raciocínio, o tão inofensivo virar de páginas, um avesso monótono interdito, um prévio aviso de fim-de-assunto dão-nos, talvez, a falsa ilusão de que se não há mais nada a descobrir e que sabemos de tudo, pois tão minuciosamente extrincados, lá se encontram os desencadementos lógicos.
abro o livro: estende-se sobre mim aquela página grafada, estável, inquietamente me dizendo as mesmas coisas...estranhamente são coisas mesmas, que variam, a depender, unicamente, de meu "status quo"; sobra-me, por final, clara noção de que tão convencido me sinto quão mais embevecido de palavras estou.